BYD Dolphin Mini vs. Onix 1.0: o custo real por km rodado

Por Jailton

BYD Dolphin Mini vs. Onix 1.0: o custo real por km rodado

BYD Dolphin Mini por R$ 119.990 contra Onix 1.0 por R$ 81.203 na tabela FIPE de outubro de 2026. A pergunta que importa em Feira de Santana não é qual dos dois anda mais — é qual custa menos por quilômetro quando o mês fecha. Separei a conta em duas camadas: o que dá para medir (energia contra combustível) e o que depende de premissa (seguro, revisão, depreciação). Misturar as duas é onde quase todo comparativo de carro erra.

O preço que separa os dois

Segundo a tabela FIPE de outubro de 2026, o Onix Hatch 1.0 12V mecânico está em R$ 81.203. O Dolphin Mini 0 km sai por R$ 119.990 na tabela da marca. São R$ 38.787 de diferença — o equivalente a 86 meses de gasolina do Onix rodando mil quilômetros por mês. Essa diferença é o coração do problema: o elétrico economiza no posto, mas o dinheiro já saiu antes, na concessionária.

As premissas, para você conferir e trocar

  • 12 mil km por ano, com 70% do trajeto na cidade e 30% na estrada.
  • Gasolina a R$ 6,56 o litro — média do levantamento da ANP em Feira de Santana na semana de 4 a 10 de outubro de 2026.
  • Etanol a R$ 4,28 o litro, como alternativa do flex.
  • Energia a R$ 1,00 o kWh já com ICMS, PIS e COFINS. A tarifa base residencial da Coelba em 2026 é de R$ 0,8777 por kWh sem os tributos.
  • Carga rápida na rua a R$ 1,80 por kWh.
  • Onix 1.0 aspirado: 13,8 km/l na cidade e 16,9 na estrada com gasolina (Inmetro). No etanol, 9,6 e 11,9.
  • Dolphin Mini: 13,5 kWh por 100 km num teste urbano. A autonomia Inmetro de 280 km com bateria de 38 kWh dá 7,4 km/kWh, o mesmo patamar.

Na bomba e na tomada

Com a mistura 70% cidade e 30% estrada, o Onix faz 14,6 km/l. Dividindo os R$ 6,56 do litro por esse número, cada quilômetro custa R$ 0,449. O Dolphin Mini percorre 7,4 km com um kWh; a R$ 1,00 o kWh, cada quilômetro sai por R$ 0,135. É 70% mais barato por quilômetro — e o número é esse mesmo quando você olha o mês inteiro.

ContaOnix 1.0 (gasolina)Dolphin Mini (tomada em casa)
Rendimento14,6 km/l7,4 km/kWh
Custo por quilômetroR$ 0,449R$ 0,135
1.000 km no mêsR$ 449R$ 135
12.000 km no anoR$ 5.390R$ 1.620
Consumo anual822 litros1.620 kWh

No etanol, o Onix faz 10,2 km/l na mesma mistura e o quilômetro sai por R$ 0,420 — pouca coisa mais barato que a gasolina. Na Bahia, com o etanol a 65% do preço da gasolina, abastecer de álcool é decisão de conveniência, não de economia real.

Carregar na rua encarece, mas não vira a mesa

Quem mora em apartamento sem tomada vai depender de carregador público. Num cenário com 20% da energia vindo de carga rápida a R$ 1,80 o kWh e o resto em casa, o custo sobe para R$ 0,157 por quilômetro. Continua 65% abaixo do Onix. O problema do carregador de rua não é o preço por kWh — é o tempo parado e a fila.

O boleto que chega uma vez por ano

Aqui o elétrico perde. O IPVA na Bahia é de 2,5% do valor venal para carros de passeio, e a alíquota vale também para os movidos a eletricidade — não existe isenção estadual para carro elétrico na BA, ao contrário do que muita gente repete. Pela FIPE de outubro, o Onix paga cerca de R$ 2.030 por ano e o Dolphin Mini, R$ 3.000.

Nas revisões o jogo inverte. As cinco primeiras revisões do Dolphin Mini, até 100 mil km, somam R$ 3.728; no mesmo recorte, um Polo 1.0 custa R$ 9.780 — cerca de R$ 0,098 por quilômetro contra R$ 0,037. Não encontrei pacote fechado equivalente publicado para o Onix; se ele seguir a média dos 1.0 flex, fica mais perto do Polo que do BYD. Usei o número do Polo como referência e deixei isso explícito na tabela.

Seguro eu não medi, e não vou chutar: cotação é o que você pede. São dois carros com valores de peça e rede de reparo bem diferentes, e a cotação muda de bairro para bairro em Feira de Santana. Na simulação abaixo usei R$ 2.400 para o Onix e R$ 3.200 para o Dolphin Mini como premissa, não como medição.

A conta que quase ninguém faz: depreciação

Carro novo perde valor mesmo parado na garagem. Apliquei 15% ao ano sobre o valor do veículo, a mesma taxa para os dois — premissa conservadora para o BYD, cujo mercado de usado ainda é raso e pode desvalorizar mais rápido ou segurar melhor, dependendo da demanda local. Isso dá R$ 12.180 por ano no Onix e R$ 18.000 no Dolphin Mini. É o item que decide a briga e o que todo comparativo de "custo por km" esconde.

O custo real, com tudo dentro

Item por anoOnix 12 mil kmDolphin 12 mil kmOnix 24 mil kmDolphin 24 mil km
Combustível ou energiaR$ 5.390R$ 1.620R$ 10.781R$ 3.240
IPVA (2,5% na BA)R$ 2.030R$ 3.000R$ 2.030R$ 3.000
Seguro (premissa)R$ 2.400R$ 3.200R$ 2.400R$ 3.200
Revisão e manutençãoR$ 1.175R$ 447R$ 2.350R$ 888
Depreciação (premissa)R$ 12.180R$ 18.000R$ 12.180R$ 18.000
Total no anoR$ 23.175R$ 26.267R$ 29.741R$ 28.328
Custo por kmR$ 1,93R$ 2,19R$ 1,24R$ 1,18
Custo por mêsR$ 1.931R$ 2.189R$ 2.478R$ 2.361

O ponto de virada: 1.686 km por mês

Juntando tudo, os dois carros se cruzam em aproximadamente 20.200 km por ano — 1.686 km por mês. Abaixo disso, o Onix tem o custo por quilômetro mais baixo, porque a diferença de R$ 38.787 no preço e a depreciação menor pesam mais que a economia de energia. Acima disso, o Dolphin Mini assume a ponta, e a vantagem cresce com o uso: a 2.000 km por mês, ele fecha em R$ 1,18 contra R$ 1,24 do Onix.

Então qual comprar

  • Roda menos de 1.600 km por mês, não tem tomada em casa e quer revenda fácil: Onix 1.0. A conta fecha a favor dele e a rede de oficinas em Feira de Santana continua sendo um argumento.
  • Roda 2.000 km ou mais por mês e tem garagem com tomada: Dolphin Mini. A energia barata compensa até o IPVA mais caro, e a manutenção reduzida amplia a margem.
  • Usa o carro em viagem longa com frequência: Onix. A autonomia de 280 km do Dolphin Mini pede parada em carregador rápido, e a infraestrutura entre Feira de Santana e o oeste baiano ainda é fina.
  • Compra para cinco anos ou mais: o número que decide é a depreciação, e é justamente o mais difícil de prever no elétrico. Acompanhe o preço de usados antes de fechar.

Vai anunciar o seu?

Se a troca for sair de um 1.0 e entrar no elétrico, o anúncio do carro que sai precisa de três informações: quilometragem anual real, histórico de revisões com nota fiscal e o custo por mês que você tinha com combustível — comprador de usado compara isso. Quem anuncia elétrico usado deve declarar a capacidade da bateria e o tipo de carregador que usa; é a primeira pergunta que a pessoa faz.

Você pode publicar seu anúncio no clas.win de graça e separar as fotos seguindo o guia de como vender seu carro usado em 2026. Mais dicas de compra e venda ficam em Classificados e marketplaces.

Nenhum dos dois é o carro errado. Errado é comprar o elétrico achando que a economia do posto paga sozinha a diferença de R$ 38.787 — ela paga, mas só depois de 86 meses rodando mil quilômetros por mês. Faça a conta com a sua quilometragem antes de assinar.

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